sexta-feira, 8 de julho de 2011

quinta-feira, 30 de junho de 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

leituras

"ninguém nos confronta mais com o que nós somos do que os filhos. corrijo: ninguém nos confronta mais com o pior do que somos do que os filhos. nem o cônjuge, para quem tem um, que palavra horrível para designar o amor da vida das pessoas. nem os críticos, para aqueles que escrevem, filmam, compõem etc. nem o público, para quem é da vida pública. ninguém melhor ou pior do que os filhos para nos colocarem na berlinda, mostrarem a nossa cara num espelho mesquinho, egoísta, brutal, distraído, banal."
maria rita kehl, em correspondência com o armando freitas filho.

o que é a paternidade/maternidade...
tenho gostado de leituras sobre pais e filhos. basta um trecho, como esse de cima, para eu já querer copiar em algum lugar.
esta semana um primo mandou um pequeno texto que supostamente é de saramago (no email, avisava que não conseguiu confirmar a autoria):


"filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. isto mesmo! ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.
perder? como? não é nosso, recordam-se? foi apenas um empréstimo."

desde a semana passada leio a biografia do escritor japonês kenzaburo oe e de seu filho hikari oe. uma história linda, que tem me prendido até na mesa do almoço.

marina costuma falar sobre a importância dos nove meses no preparo psicológico da mãe.
acredito que minhas atuais leituras são um sinal, não só de que o preparo é também no pai, mas também das fantasias que fazemos a respeito da criança que está por vir.

sábado, 4 de junho de 2011

do abstrato ao concreto

no início da gravidez, mesmo sabendo da existência d@ bacuri, a gente ainda duvida. é que essa existência é tão abstrata que nem parece que está lá.

a primeira vez que tivemos notícias mais concretas d@ bacuri foi com 9 semanas e 3 dias de gestação. a mãe sentira dores e os pais de primeira viagem, preocupados, logo trataram de ir ao pronto-socorro. tudo certíssimo com bacuri, mas para saber disso foi preciso, primeiro, passar por uma ecografia.

atendimento de pronto-socorro, o médico que fez a ecografia entrou e saiu tão rápido da sala, que nem deu tempo dos pais processarem aquilo que tinham acabado de ver e ouvir (por algum defeito do equipamento, aliás, o “ver” foi muito mais que o “ouvir”). bacuri tinha então 2,6 centímetros.

23 dias depois, uma nova ecografia. essa de consulta marcada, mais tranqüila. só a mãe a avó materna tiveram a chance de acompanhar, e depois levaram notícias de fazer inveja ao pai: bacuri não só estavam bem, como havia se mexido durante todo o exame, braços e pernas. uma das imagens impressas mostrava nitidamente a mãozinha aberta, como se estivesse mandando um “alô”. e agora bacuri já tinha 6,9 centímetros, da cabeça até as nádegas, ou seja, sem contar as pernas.

mais 28 dias se passaram e lá estávamos para mais uma ecografia. desta vez, bacuri estava acompanhado da mãe, do pai e da avó paterna. todos ansiosos com a possibilidade de ver, pela primeira vez, o sexo d@ bacuri. não deu. bacuri, por timidez ou molecagem, colocou o cordão umbilical entre as pernas e tratou de manter o segredo até o fim da consulta. o pai, no entanto, estava tão encantado de escutar aquele batimento cardíaco e de ver aqueles movimentos de cabeça e braços, que saiu de lá como se tivesse acabado de testemunhar uma epifania. bacuri tinha alcançado a estatura aproximada de 20 centímetros.

não dá pra saber exatamente o momento da transformação, mas eis que um dia a gente se toca que a barriga já está diferente, já tem o formato arredondado, já se projeta para a frente. O pai, mais uma vez encantado, aproveita a soneca da mãe para tirar uma foto. A mãe, ao ver a foto depois de acordar, também se apercebe da mudança.

bacuri já marca presença. e agora de maneira bastante concreta.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

uma casa, duas pessoas

engraçado perceber que, muitas vezes, nós precisamos de uma imagem para acreditar de fato em alguma coisa. eu já vi bacuri na tela do equipamento de ultrassom pelo menos três vezes, mas foi ontem, vendo uma foto de qualidade ruim, tirada num aparelho celular, que alguma ficha caiu e eu me dei conta do avanço do meu buchismo.

na foto, estou deitada, dormindo - mas isso não se vê - e minha barriga saliente se projeta pra frente, quase que numa exibição em 3D, pra quem olha pra ela. além da barriga, vê-se a tal da linha nigra, tão característica e tão simbólica, dividindo em dois o meu abdômen. metade minha, metade de bacuri?

a verdade é que já estamos quase chegando na 20ª semana, o que significa quase 5 meses de gestação, e esse bebê, que eu já vi e ouvi algumas vezes, só ontem se apresentou como algo que existe para-além-de-mim.
antes era só a minha barriga, meio grandinha, parecendo inchada, como se eu tivesse exagerado na cerveja. mas agora não. agora tenho uma barriga alta, dura, inquestionável e, aparentemente, divisível.

sensação estranha essa de dividir meu corpo com alguém.
estranha boa, mas estranha.

e em pensar que isso é só o começo desse processo de percepção-estranhamento que começou ontem.
sim, ontem.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

bacuri conhece o mar


*foto tirada na praia de zumbi, litoral do rio grande do norte, em 02 de março de 2011. bacuri tinha, então, 4 semanas de vida dentro do bucho.